Confesso que não lidei com este assunto da mesma forma que lido com as fotos que publico, ou quando actualizo o meu pequeno periódico virtual. Terá sido prudência? Alguma superstição ridícula? Será que já me cheguei a doutorar em Sistemas de Gestão de Incredulidade?Tirando uma ou outra pessoa, quase ninguém sabe que comecei a trabalhar este mês (após pouco mais de meio ano de letargia laboral) e confesso que não bradei a boa nova aos sete ventos porque, como se sabe, não sou pessoa de, há mínima coisa, fazer de tudo um Mardi Gras em pequena escala - quanto mais em relação a empregos e afins. No entanto, acho que cada vez mais se justifica esta minha postura, dado que algum do meu pessimismo chega a ser uma arma bastante saudável face às agruras e idiossincracias que ocorrem neste contexto.
Curiosamente, o título deste post e a imagem do meu caríssimo Homer Simpson, caracterizam na perfeição o estado de espírito em que me encontro - em particular no que diz respeito à minha avaliação (por assim dizer) deste "mês" de trabalho que passou (e digo isto porque na empresa contabilizam as coisas desta maneira).
Por outras palavras, não creio que tenha havido uma mudança (propriamente dita) no meu quotidiano/vida desde que voltei a trabalhar. É verdade que trabalhar é sinónimo de retorno (monetário, principalmente), mas pouco - ou nenhum - vou obter, se realmente me puser a fazer contas à vida (e não vou entrar aqui em detalhes por motivos óbvios). Isto já para não falar de que a minha função acaba por ser pouco ou nada estimulante e, como foi ontem, por vezes tenho que lidar com a saloice/parolice de uma gestora inadequada e parcialmente disfuncional; é claro que nenhum trabalho é perfeito, mas tendo em conta diversos factores , há que medir essas incongruências de forma congruente (perdoem a redundância) e é neste contexto que a postura do Homer assenta na perfeição.
Às vezes ponho-me a pensar se realmente estarei fadado para trabalhar/cooperar com pessoas/chefes/gestores, etc., em ambientes de grupo/empresas; isto porque, à partida (e como a grande maioria sabe), não tenho paciência para estar com pessoas todos os dias (em especial neste ambiente), ainda para mais quando há sempre um ou outro adversário que envergonha o significado do termo. Sei perfeitamente que o meu vínculo a um assunto que não vou referir me tem "cortado as asas" para outros vôos mais ambiciosos mas, tirando isso e colocando-me noutro contexto diferente, creio que - e já desde que me lembro - não devo ter sido fadado para isto.
Em resumo: estou a fazer para que esta realidade se altere (ainda que, como acabei de referir, acabe por não depender apenas da minha persistência/vontade) mas, no caso de aparecer outra oportunidade um pouco mais vantajosa, não terei duvidas que a minha relação espanhola termine. Mas como estamos na pior das alturas para que tal aconteça, é ver até onde vão as coisas.
P.S. Ao ler uma entrevista de Morbid Angel esta semana, reparei que tanto o David Vincent (vocalista/baixista) como eu e tantos outros, soltamos por diversas vezes o nosso próprio Walter Mitty, de forma a lidarmos com a falta de estímulo e banalidade que caracteriza o nosso quotidiano. É verdade que podemos ser (ou não ser) os próprios autores dessa condição (e se formos, isso pouco ou nada tem de saudável) mas, não obstante, acho que é importante continuarmos - não só - a sonhar, como também a não perder a vontade de concretizar esses mesmo sonhos pela vida fora, e é por isso que gostava de lhe enviar um copo do Garfield igual ao meu, mas não posso (a Internet tem destas coisas); porém, prometo que farei de tudo para não me esquecer de lhe oferecer um quando cá vierem de novo (e, se fosse de novo ao Paradise Garage, ainda melhor).






