sábado, 20 de Junho de 2009

Mudança?

Confesso que não lidei com este assunto da mesma forma que lido com as fotos que publico, ou quando actualizo o meu pequeno periódico virtual. Terá sido prudência? Alguma superstição ridícula? Será que já me cheguei a doutorar em Sistemas de Gestão de Incredulidade?
Tirando uma ou outra pessoa, quase ninguém sabe que comecei a trabalhar este mês (após pouco mais de meio ano de letargia laboral) e confesso que não bradei a boa nova aos sete ventos porque, como se sabe, não sou pessoa de, há mínima coisa, fazer de tudo um Mardi Gras em pequena escala - quanto mais em relação a empregos e afins. No entanto, acho que cada vez mais se justifica esta minha postura, dado que algum do meu pessimismo chega a ser uma arma bastante saudável face às agruras e idiossincracias que ocorrem neste contexto.
Curiosamente, o título deste post e a imagem do meu caríssimo Homer Simpson, caracterizam na perfeição o estado de espírito em que me encontro - em particular no que diz respeito à minha avaliação (por assim dizer) deste "mês" de trabalho que passou (e digo isto porque na empresa contabilizam as coisas desta maneira).
Por outras palavras, não creio que tenha havido uma mudança (propriamente dita) no meu quotidiano/vida desde que voltei a trabalhar. É verdade que trabalhar é sinónimo de retorno (monetário, principalmente), mas pouco - ou nenhum - vou obter, se realmente me puser a fazer contas à vida (e não vou entrar aqui em detalhes por motivos óbvios). Isto já para não falar de que a minha função acaba por ser pouco ou nada estimulante e, como foi ontem, por vezes tenho que lidar com a saloice/parolice de uma gestora inadequada e parcialmente disfuncional; é claro que nenhum trabalho é perfeito, mas tendo em conta diversos factores , há que medir essas incongruências de forma congruente (perdoem a redundância) e é neste contexto que a postura do Homer assenta na perfeição.
Às vezes ponho-me a pensar se realmente estarei fadado para trabalhar/cooperar com pessoas/chefes/gestores, etc., em ambientes de grupo/empresas; isto porque, à partida (e como a grande maioria sabe), não tenho paciência para estar com pessoas todos os dias (em especial neste ambiente), ainda para mais quando há sempre um ou outro adversário que envergonha o significado do termo. Sei perfeitamente que o meu vínculo a um assunto que não vou referir me tem "cortado as asas" para outros vôos mais ambiciosos mas, tirando isso e colocando-me noutro contexto diferente, creio que - e já desde que me lembro - não devo ter sido fadado para isto.
Em resumo: estou a fazer para que esta realidade se altere (ainda que, como acabei de referir, acabe por não depender apenas da minha persistência/vontade) mas, no caso de aparecer outra oportunidade um pouco mais vantajosa, não terei duvidas que a minha relação espanhola termine. Mas como estamos na pior das alturas para que tal aconteça, é ver até onde vão as coisas.

P.S. Ao ler uma entrevista de Morbid Angel esta semana, reparei que tanto o David Vincent (vocalista/baixista) como eu e tantos outros, soltamos por diversas vezes o nosso próprio Walter Mitty, de forma a lidarmos com a falta de estímulo e banalidade que caracteriza o nosso quotidiano. É verdade que podemos ser (ou não ser) os próprios autores dessa condição (e se formos, isso pouco ou nada tem de saudável) mas, não obstante, acho que é importante continuarmos - não só - a sonhar, como também a não perder a vontade de concretizar esses mesmo sonhos pela vida fora, e é por isso que gostava de lhe enviar um copo do Garfield igual ao meu, mas não posso (a Internet tem destas coisas); porém, prometo que farei de tudo para não me esquecer de lhe oferecer um quando cá vierem de novo (e, se fosse de novo ao Paradise Garage, ainda melhor).

domingo, 17 de Maio de 2009

Emperor

Para mim, Emperor representa o paradigma do Black Metal norueguês. Desde que tomei conhecimento deste género musical há quinze anos atrás, que esta banda tem sido aquela pela qual eu nutro maior respeito e admiração. É verdade que nomes como Darkthrone, Satyricon, Mayhem, Immortal ou Burzum são também bastante importantes para mim, embora de uma forma diferente.
Emperor nasceu da mente de Samoth (baterista) em 1991. Juntamente com Ihsahn (vocalista e guitarrista) e Mortiis (baixista), gravam a sua primeira demo intitulada Wrath of the Tyrant. Pouco tempo depois conseguem um contrato com a editora Candlelight Records (com a qual trabalham até ao fim da sua carreira) e, juntamente com os seus compatriotas Enslaved, lançam o seu primeiro trabalho homónimo. Este seria o primeiro e último registo oficial com Mortiis - que até à data tinha sido responsável pelo conceito lírico da banda e por lhe atribuir o nome - e marcava também outras duas mudanças: a de Samoth para a guitarra e a entrada de Faust para a bateria. Pouco tempo depois são convidados a participarem numa pequena digressão em Inglaterra, com os britânicos Cradle of Filth como banda de abertura, servindo este exercício como aquecimento para a gravação do seu primeiro longa-duração. Intitulado In the Nightside Eclipse, este álbum acabou por mudar para sempre a face do Black Metal norueguês (e não só), como também estabelece os alicerces para os seus trabalhos seguintes: Anthems to the Welkin at Dusk, IX - Equilibrium e Prometheus - The Discipline of Fire & Demise.
Após este período tão crucial na sua história, uma série de eventos acaba por comprometer a continuação da carreira da banda, dado que tanto Samoth e Faust são obrigados a cumprir duas penas de prisão por fogo posto e homicídio qualificado (respectivamente); no entanto, quando o seu membro-chave regressa à banda, trás consigo uma inspiração e determinação tais, que não só fazem com que Emperor gravem outro dos seus trabalhos mais importantes, como também os torna um dos nomes mais sonantes no espectro do Heavy Metal (tal não é a integridade artística da banda). Dado que Faust iria cumprir uma pena maior que a de Samoth, a banda acaba por recrutar um novo baterista: Trym (anteriormente de Enslaved). Desde então começam a tocar ao vivo de uma forma regular (partilhando o palco com nomes como Limbonic Art e Bal-Sagoth) e, através da estabilidade deste trio, acabam por lançar outro álbum dois anos mais tarde. É de salientar que durante este período de concertos trabalham em conjunto com Charmand Grimloch (de Tartaros), que os ajuda ao desempenhar as tarefas de teclista neste cenário até ao fim da carreira da banda.
Dez anos depois, Emperor lançavam o seu último registo, um trabalho que chegou a ser aplaudido pela imprensa, mas que para muitos admiradores (incluindo eu) chegou a ficar um pouco aquém das expectativas. Isto porque muita da agressão e atmosfera que tanto caracterizavam a banda, tinham sido diluidas, dando lugar a uma elemento progressivo em excesso (e aqui via-se que nem tudo estava em sintonia no seio da banda). Por outras palavras, basta ver os caminhos que tanto Ihsahn como Samoth (e Trym) seguiram após a dissolução de Emperor, para se perceber do que falo.
Por fim, em 2005 - e após terem anunciado firmemente que nunca mais iriam trabalhar com Emperor - voltam a surpreender tudo e todos com um regresso monumental: um concerto surpresa na Noruega, onde tocam apenas três temas, e onde anunciam a vontade de fazer uma pequena série de espectáculos pontuais na Europa e nos Estados Unidos (dado que não o fizeram na altura do seu último trabalho). Durante este período, Emperor chega a tocar em festivais como o Wacken Open Air e Inferno, bem como em Inglaterra e Finlândia (chegando a esgotar todos os concertos). O resultado deste projecto viria a sair recentemente, num lançamento intitulado Live Inferno, que contém na íntegra o concerto de Wacken (em CD e DVD), bem como o do festival Inferno (em CD). Embora tenha ficado um pouco desiludido com a mistura final (algo que nunca poderia antever), tenho que admitir que caso este seja realmente o último lançamento oficial da banda (como prevê Samoth), serve como chave de ouro para imortalizar uma das carreiras mais curtas e prodigiosas que tiveram lugar no universo do Metal. Mas, como referi atrás, tudo depende exclusivamente da vontade de Ihsahn e de Samoth. Emperor is dead: long live the Emperor!

Para mais informações sobre a banda, visitem a sua página oficial em www.emperorhorde.com, ou leiam algumas das entrevistas que lhes fiz disponíveis na minha webzine (The Lodge) em www.webbworks.org/thelodge.

sábado, 18 de Abril de 2009

Para atravessar contigo o deserto do mundo


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)

Imagem: Hope by eclipsy in deviantART

sexta-feira, 13 de Março de 2009

Alienação

Transposição negada
Programação alternativa
Funcionalidades inatingíveis

Pessimismo, culpa, desprezo
Sabores negros e angustiantes
Visitantes manchando eternamente

Recolhe, fecha, ignora
Evasão, pensamento, cicatriz

A mancha irá permanecer
Até o pária deixar de o ser
Renegado sois por tempo incerto
Até sentires a Vida por perto

Mergulha
Inteira
Renova
ACORDA!

domingo, 8 de Março de 2009

É quase Primavera... Flores, por Maria...


terça-feira, 3 de Março de 2009

Yann Tiersen

Pensei em vários títulos para este post mas nenhum me agradou. Alguns soariam demasiadamente poéticos, outros pareceriam muito longos, outros sem nexo... Enfim, basta o nome para que tudo o que vou escrever de seguida faça sentido.
Yann Tiersen é um músico francês nascido em 1970, que ficou conhecido no nosso país por ter composto as bandas sonoras originais dos filmes O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Good Bye Lenin! (dois filmes brilhantes).
Mas engana-se quem pensa que o seu percurso musical se reduz a isso. Embora tenha tido formação musical clássica, Yann enveredou pelo Rock e foi dentro desse género que estabeleceu a sua carreira no seu país de origem. Contudo, enquanto multi-instrumentalista, dedicou-se a "experiências" acústicas e minimalistas várias que resultaram em rasgos de genialidade presentes nas BSOs acima referidas e nos álbuns que constituem o seu curriculum musical.
Enquanto cantor de Rock, é usual que o seu instrumento de eleição seja a guitarra, mas nos concertos esta dá lugar ao violino, ao piano, ao acordeão, a xilofones vários ou toy pianos... A mistura de sons é perfeitamente inebriante e mágica e é assim que um nome quase desconhecido da maioria dos portugueses consegue encher salas de espectáculos cada vez que nos visita.
Eu sou uma privilegiada pois já o vi ao vivo três vezes (duas no C.C.B. e uma na Aula Magna) e foram sempre noites absolutamente emocionantes! Houve sempre aqui e ali uma lagrimita a cair num ou outro momento mais emotivo, mas acima de tudo muitos sorrisos, muitos aplausos, pois a magia deste senhor vai muito além do que vos posso descrever aqui... É música no seu estado mais puro que tanto se torna uma brisa leve que nos roça no rosto, como um trovão que ribomba dentro da nossa cabeça!
Não percam a oportunidade de o ver no próximo mês de Julho (04, 05 e 06) na Figueira da Foz, Famalicão e Lisboa (C.C.B.) respectivamente. E eu vou lá estar!

sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Insatisfação

Quando nos deparamos com alguma frequência com estados de desânimo pontual, é difícil arranjar uma fórmula que nos permita dissolver essa melancolia - pelo menos de forma célere e eficaz. Não só é difícil gerir esse pessimismo, que normalmente nos deixa insensíveis e quase que estupidificados, como também não é fácil encontrar a tão famosa "luz ao fundo do túnel".
Sem querer exagerar ou generalizar, posso dizer que me tenho deparado com esta realidade ao longo destes últimos cinco anos. É facto que nem tudo tem sido negativo - e de há uns tempos para cá, bem pelo contrário (com uma ou outra excepção) - no entanto, o desiquilíbrio que existe por vezes chega a ser de tal modo que, por muito que me esforce por não exteriorizar esse "lado negro da lua", nem sempre sou capaz, o que faz com que pontualmente seja protagonista de situações algo desagradáveis e desnecessárias.
Curiosamente, vejo que se vive o espírito carnavalesco com alguma pompa e circunstância e, sendo eu adepto de tudo o que provoca uma exaltação do ser, não podia ter encontrado melhor altura para dizer o seguinte: é verdade que nesta altura usamos máscaras para retratar personagens que nos fascinam, ou pelas quais nutrimos um qualquer tipo de afecto, como também as usamos como escape para libertar supressões do nosso instinto (possivelmente mais) desajustado. No entanto - e por mais apelativo que isso seja - acho que aproveito estes dias para dar descanso às máscaras que tenho de usar diariamente, em vez de os passar com outras sem qualquer tipo de necessidade ou vontade, pois acredito que desta forma algo catártica, consiga gerir melhor estes estados da existência de uma maneira gradual e positiva no futuro.